eternue:

p-o-e-s-i-a:

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eu e minhas paixões nos ônibus 

(via interrupteded)


Hélio Pellegrino em carta a Fernando Sabino

desencadilhar:

O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.

(Source: itatiaia.com.br)


zumbisrussos:

tu lembra da gente correndo em direção ao ponto do ônibus aos gritos como quem não tem medo da morte? eu consigo fechar os olhos e sentir o cheiro do asfalto de óleo e cerveja era sexta e você segurava minhas mãos. a viagem em que estávamos era maior que o trajeto e eu te amei como uma mulher jovem ama a possibilidade de ser livre. eu te desafiei a me suportar nos dias ruins e você não equilibrou meus dramas e não poderia porque não te cabia essa cena. eu te chamava de meu amor. tu ia embora. eu abria as pernas pra outros problemas. cê dizia que eu era boa demais. eu queria atravessar a rua da sua casa, a sua sala, a sua cama. eu queria te mostrar quem manda. mas a gente era uma espécie de falha que não dura. uma hora você me viu diferente. você me amou como quem repete os mesmos erros. eu te amei como quem aprende.

(via mar-em-furia)